A energia Crística que eu vim oferecer-lhes provém de uma energia coletiva que ultrapassou o mundo da dualidade. Isto significa que ela reconhece os opostos bom e mau, luz e escuridão, dar e receber, como aspectos de uma única energia.
Viver a partir da realidade da consciência Crística significa que não se luta contra nada. Há uma total aceitação da realidade. Esta ausência de luta ou resistência é a sua principal característica. Já que o Cristo (ou a energia Crística) reconhece os extremos de todos os pensamentos, sentimentos e ações como manifestações da energia divina única, não pode haver dualidade e nem julgamento na forma em que ela (a energia “cristificada”) vivencia a realidade.
Deixem-nos dar um exemplo aqui. Quando o Cristo em vocês observa um conflito armado entre povos, seu coração chora pelo destino dos vencidos, mas ele não julga. Ele sente a dor e a humilhação com cada golpe, e seu coração enche-se de compaixão, mas ele não julga. Ele observa o agressor, aquele que carrega a arma, que tem o poder, que inflige a dor, e ele sente... o ódio e a amargura dentro de si, e o seu coração se aflige, mas ele não julga. O coração do Cristo abraça todo o espetáculo com profunda compaixão, mas sem julgamento, pois ele reconhece todos os aspectos como experiências que ele próprio já vivenciou. Ele próprio já viveu todos esses papéis – de agressor e de vítima, de senhor e de escravo, e ele chegou à compreensão de que ele não é nenhum deles, mas, sim, aquilo que é subjacente a ambos.
A energia Crística passou por todas as energias da dualidade. Ela identificou-se, ora com a escuridão, ora com a luz, mas através de tudo isso, alguma coisa se manteve sempre a mesma. E quando ela percebeu a “mesmice” subjacente a todas as suas experiências, sua consciência ganhou um novo tipo de unidade: ela foi “cristificada”.
A energia cristificada é a energia que eu vim oferecer-lhes.
É muito difícil de explicar quem fui eu, mas eu tentarei, fazendo distinção entre três “identidades”: Jeshua, Jesus e Cristo.
Eu, aquele que está falando agora, sou Jeshua. Eu fui aquele que carregou a energia Crística na minha encarnação na Terra. Essa energia também pode ser chamada de Cristo.
Jesus – na minha terminologia – é o nome do homem Divino, que foi o resultado da infusão da energia Crística na realidade física e psicológica de Jeshua. Essa energia Crística foi derramada dentro de Jeshua, vinda de
esferas de Luz que estão – do seu ponto de vista – localizadas no seu futuro. Jesus foi o homem que realizou milagres e apresentou profecias. Jesus foi um emissário das esferas de Luz, encarnado em mim. De fato, ele foi o meu futuro eu. Jesus foi – do meu ponto de vista, como o homem Jeshua que vivia na Terra – o meu eu futuro, que se havia tornado um com a energia Crística. Como o Cristo nele era claramente presente e visível para muitas pessoas ao seu redor, ele lhes parecia divino.
Eu, Jeshua, fui um homem de carne e osso. O aspecto singular, e até certo ponto artificial, da “construção de Jesus”, é que eu recebi o meu/dele Eu Cristificado do futuro. Eu não fui cristificado com base no meu passado e nas experiências aí vivenciadas. Eu não alcancei a iluminação de uma forma natural, mas por meio de uma intervenção externa – por assim dizer – por uma infusão da energia Crística vinda do futuro. Eu concordei em desempenhar esse papel, antes de começar essa vida. Eu concordei em ser “ofuscado” pela presença de Jesus, como um ato de serviço e também devido a um anseio intenso por conhecer a realidade dos meus potenciais mais profundos.
Jesus, o meu eu futuro das esferas de Luz, tornou-se um com a energia Crística. Mas ele não representa a energia de Cristo aqui na Terra, pois essa energia abrange mais do que Jesus. Ele é uma parte, ou uma célula dela. Cristo ou a energia Crística (é mais como um campo de energia do que uma entidade pessoal) é a energia coletiva que tem muitos aspectos ou “células”, que estão cooperando entre si de tal modo, que funcionam como um único “organismo”. Cada célula faz uma contribuição única para o todo, enquanto experiencia a si mesma como um indivíduo que também é parte do todo. Estes diversos aspectos da energia Crística podem ser chamados de anjos ou arcanjos. Uma característica marcante dos anjos é que eles têm um sentido de individualidade, bem como um alto nível de desprendimento, que lhes permite sentirem-se um com as energias coletivas e estarem alegremente em serviço. A noção de (arc)anjos é elucidada na parte X da série Trabalhadores da Luz.